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Plutão
em Capricórnio (2008-2024): Uma Mensagem Urgente
Nuno Michaels
Este
texto é um excerto de uma conferência
proferida
no dia 7 de Janeiro de 2008.
O CD da conferência está disponível.
Conheça
o seu site: http://www.nunomichaels.com
Hoje quero falar sobre o que tenho vindo a
observar à minha volta nas energias colectivas e nas efemérides planetárias.
Amanhã, dia 8 de Janeiro, há uma Lua Nova no grau 17º de Capricórnio. Mercúrio
estará a passar de Capricórnio para Aquário. Júpiter está em Capricórnio.
Saturno está em Virgem, e Urano continua o seu trânsito por Peixes. Neptuno
continua o seu trânsito por Aquário e Plutão no dia 26 atinge o grau 0 (zero)
de Capricórnio. A entrada de Plutão em Capricórnio é um acontecimento que não
ocorre desde há cerca de duzentos e cinquenta anos.
E o que é curioso é que da vez anterior que
Plutão passou por Capricórnio ainda não era conhecido. E quando foi avistado,
por um senhor chamado Percival Lowell no ano de 1930, ele transitava o signo de
Caranguejo - o signo oposto e complementar de Capricórnio, onde se prepara para
entrar.
Durante todo este ano Plutão vai estar a
passar entre os graus 29 de Sagitário e o grau 1 de Capricórnio. Os últimos
anos, da passagem de Plutão por Sagitário, têm sido anos de tremendo drama.
Drama, ou dramas, que emergiram essencialmente da desorientação espiritual da
Humanidade, obrigando a rever valores e ir em busca de novos valores. Por isso
nós estamos aqui, em busca de novas referências e valores espirituais.
Tivemos 13 anos da passagem de Plutão por
Sagitário. E agora, o último ano em que Plutão passa por Sagitário nesta nossa
encarnação, é altura de começar a dar forma (Capricórnio) àquilo que é a
Verdade da nossa Alma.
Isto implica que nós temos todos de rever as
estruturas nas nossas vidas pessoais. Isto implica também termos um vislumbre
de quem queremos ser, de em quem nos queremos tornar.
A passagem de Saturno em Virgem diz
"quais são os conhecimentos, as técnicas, as ferramentas, as actividades,
as rotinas diárias, a higiene, o exercício, o cuidado da psique através da
soma, ou do corpo, o que é que tu precisas de reunir e construir como técnica,
ferramenta, conhecimento, disciplina, organização da vida prática, de modo a
poderes começar a lançar as pedras basilares da nova estrutura que queres criar
de ti próprio, em ti próprio, na tua vida?"
Nós sentimos quotidianamente as tensões
tremendas que existem nos Céus. Marte oposto a Plutão. Observamos os dramas de
criminalidade, frustração, desmarcarem o Lisboa-Dakar, máfias a serem
descobertas no nosso país, o sub-mundo e a violência da noite, a revolta das
pessoas contra as novas proibições do tabaco, a guerra que continua nos países
todos, a maneira como as pessoas conduzem, a quantidade de ambulâncias que
circulam diariamente nas estradas da cidade... Existe muita tensão. E essa
tensão tem a ver com o processo de alinhamento que é pedido a todos mas nem
todos podem responder. E esse alinhamento é o dos desejos do ego, da
personalidade, com a Vontade da Alma.
Se formos saturninos, podemos reconstruir
estruturas. Mas temos de ser saturninos, temos de definir objectivos, temos que
nos organizar na prática, temos de fazer contas, temos que gerir o tempo, temos
que fazer exercício, alimentarmo-nos adequadamente, temos que ser fieis à nossa
busca: temos que ser saturninos.
O trânsito de Júpiter por Capricórnio ajuda,
facilita, alivia este processo. É um processo da Terra. É um processo de
Virgem/Capricórnio. É um processo em que é através da matéria e das formas
concretas que podemos actualizar a Verdade do Espírito.
Como é que a vida prática pode expressar o
impulso da minha Alma? De que maneira é que a minha vida já expressa aquilo em
que eu acredito? Onde é que a minha vida, a que eu chamo a minha "vida
prática", a que eu chamo a minha "realidade", onde é que esta
minha realidade pessoal não expressa a Verdade da minha Alma?
Plutão em Capricórnio está a
"passajar" a ligação entre Sagitário (os valores, o Caminho
Espiritual) e a estrutura prática das nossas vidas (Capricórnio). Qual é o
emprego que me serve? Qual é a minha relação com o meu trabalho? Quais são as
actividades práticas, quotidianas, que expressam quem eu realmente sou?
Amanhã (8 de Janeiro) existe a 1ª Lua Nova do
ano, no Signo que está a ser mais convocado pelos planetas nos Céus
(Capricórnio), e porque uma Lua Nova é o momento em que um novo impulso
espiritual ganha lugar, onde uma nova semente é depositada na consciência dos
homens, este processo vai pedir a cada um de nós que defina, que escolha.
Eu observaria no meu próprio mapa astrológico,
e convido-vos a fazerem o mesmo, em que casa está o 17º grau de Capricórnio:
por onde vai começar a mudança. Por onde precisa começar a mudança. Depois
veria que planetas tenho ao redor deste grau, o grau 17. Pode ser o grau 15,
16, 17, 18, 19. Saberia que outras energias, portanto que outros planetas,
podem, devem, precisam ser convocados para os ajudar nesta reestruturação da
nossa vida.
O objectivo de todos nós é depois de afinarmos
a nossa relação com a Verdade, viver à altura daquilo que se estuda, que se
aprende, que se acredita, que nos faz sentido. Porque senão, acreditar numa
coisa e ter uma estrutura de vida diferente, que não é o seu espelho, não é o
seu reflexo, não é a sua manifestação, é uma perversão. A mesma perversão dos
católicos que se vão confessar ao domingo de manhã para poderem pecar a semana
inteira.
Ética e poder espiritual é viver à altura
daquilo em que se acredita. E viver à altura daquilo em que se acredita, com
estas energias em Capricórnio, não é viver na nossa cabeça à altura daquilo em
que se acredita. É permitir que haja uma certa reorganização atómica nas
estruturas cristalizadas da nossa vida.
Tudo o que é estrutura vai estar a mexer ao
longo deste ano. A questão é: nós queremos ser vítimas e objectos dessa mexida,
ou queremos ser agentes criativos e construtores dessa mexida. Que vai haver
mexida, é certo e sabido.
Plutão significa, entre outras coisas, a
aplicação correcta da força de vontade e do poder da Alma. Significa também a
destruição inevitável de tudo aquilo que não acompanha, não suporta, não traduz
a Verdade da Alma.
Desde que Marte e Plutão fizeram uma oposição
no céu as nossas personalidades estão a ser confrontadas quase diariamente com
o infinito mundo das contrariedades, das frustrações, dos impedimentos, dos
medos, e de tudo aquilo que estimula o plano astral em cada um de nós. Seja no
plano dos medos, das memórias, dos desejos, das preferências, do "gosto e
não gosto", do "sabe-me bem ou não sabe", do "gratifica-me
ou não me gratifica", "satisfaz-me ou não me satisfaz".
E Plutão diz-nos onde é que colectivamente a
Humanidade - ou aquela parte da Humanidade que está sintonizada com esses
processos, e é uma minoria -, onde é que esta pequenina parte da Humanidade tem
a oportunidade de transformar e transformar-se e contribuir para a evolução.
Se servirmos esse propósito, o propósito que
os Mestres conhecem e servem, podemos encarar a desestruturação, a destruição
de algumas das estruturas da nossa vida como a libertação e a criação de um
espaço vazio e do espaço novo para que a nova estrutura possa emergir e ser construída
a partir desse vazio.
Mas se nós não estamos conscientemente
sintonizados - e não há nenhum julgamento nas minhas palavras, é um processo
impessoal -, se não estamos sintonizados com estas energias, com este propósito
e com este apelo, então o que nós vamos encontrar é a morte de daquilo que mais
tememos perder, que é aquilo que até ao momento, apesar daquilo em que
acreditamos, ainda assim, simbolizava os resquícios da nossa segurança.
(...)
E quando eu falo nos "planetas" eu
não falo numa espécie de Deus atrás das nuvens, rogai por nós pecadores, agora
e na hora da nossa morte, não é isto. Os planetas representam forças vivas
dentro de nós, que nós podemos usar conscientemente e com a qual vibração nós
nos podemos sintonizar.
Mas recordo-vos que quando falamos de
vibrações planetárias como a de Urano, ou de Neptuno, ou daquela que nós
estamos a falar neste caso especifico que é Plutão, o processo de alinhamento
com estas energias está para lá dos limites do nosso Ego.
Isto implica criar abertura para que seja
feita a Vossa Vontade, assim na Terra como no Céu. Essa é a tónica deste ano. Seja
feita a Vossa Vontade assim na Terra.
Júpiter em Capricórnio, Lua Nova em Capricórnio,
Plutão a entrar em Capricórnio. Saturno a passar em Virgem. É um ano de Terra.
E curiosamente, é um ano que propõe uma nova relação com as estruturas. Por
quê? Simbolicamente 2008 tem a vibração de um 1, e um 1 é sempre um novo
começo. Eu diria que este é um novo começo na vida prática, e para aqueles de
nós realmente comprometidos com o Caminho (Sagitário) vai ser cada vez mais
difícil viver uma mentira ou uma farsa. E esta mentira e esta farsa é o hiato
entre aquilo que eu acredito e aquilo que eu faço e escolho fazer em cada
pequena escolha, ou em cada grande escolha na minha vida concreta.
Claro que nada disto é uma espécie de ameaça
cósmica, porque acima de tudo vivemos num Sistema Solar de 2º Raio, e o 2º Raio
é Amor. E isto significa que não é "evolui senão lixas-te", é mais:
"podes escolher evoluir, podes escolher não evoluir, sempre terei amor
para aceitar as tuas escolhas, e sempre terei a generosidade para te devolver
às consequências da tua escolha. Eu não interfiro" . E quando digo eu, digo
o Logos, digo a Inteligência Cósmica manifestando-se através de Leis Eternas
como a de Retorno e a de Ressonância. Então depende de nós.
E quando eu digo "depende de nós"
estou a falar de um conceito, que se refere também ele, a Capricórnio. Porque
Capricórnio simboliza o sentimento de poder relativo que eu tenho para
construir estruturas adequadas ou correctas.
Capricórnio simboliza aquilo que eu acredito
serem os limites, serem as regras, serem as normas, ser a distribuição de
poderes, ser a distribuição de responsabilidades, e com responsabilidade sempre
temos uma outra boa ideia ligada com responsabilidade e esta ideia é a de poder
pessoal. Eu só posso ter poder a partir das responsabilidades que eu assumo. Eu
não posso querer ter poder responsabilizando algo ou alguém fora de mim. Porque
se alguém tem responsabilidade, alguém tem o poder. É a mesma coisa. É frente e
verso da mesma folha de papel. Não dá para dissociar.
Então Plutão a passar por Capricórnio também
nos vai convidar, e eu diria mesmo a alguns de nós vai obrigar a rever: "o
que é isto dos limites que tu acreditas que tens na tua vida?" e
"quem disse? De onde vem esta regra? Qual é a verdadeira, a oculta, a
submersa, a subterrânea causa desta regra que tu tens para ti próprio? Não
podes, por quê? Tens que?! Onde é que isso está escrito? Que voz é essa? É a
voz da tua Alma ou a voz dos teus avós?"
E quem diz "a voz dos teus avós",
diz a voz do teu marido, ou a voz do presidente da junta, ou a voz do professor,
ou a voz seja de quem for.
É a tua voz, é o teu poder, é a tua
responsabilidade, é a tua escolha. Tens a certeza que essa é mesmo a estrutura?
Que esses são mesmo os limites? Que essas são mesmo as normas? Que é mesmo isso
que tu escolhes que sejam os teus limites? Onde tens poder para mudar esses
limites? Eles têm que mudar. Ou por tua colaboração, ou sem a tua colaboração.
Com a diferença que sem a nossa colaboração o processo é mais doloroso porque
não sentimos ter nenhum poder, nenhuma contribuição, nessa transformação, e
porque não sentimos ter uma contribuição sentimo-nos vítimas.
E Capricórnio é também a energia que quando
bem integrada nos ajuda a parar com as cantigas da lamentação, da justificação,
da auto-justificação. "Ai eu não fiz porque", "eu não posso
porque", "sim, mas..."
Então Plutão a passar por Capricórnio vai
acabar com os porquês. Claro que muitos porquês em nós ainda vão estrebuchar.
Plutão em Capricórnio traz, para a Humanidade
em geral, uma destruição de todas as formas de organização social,
profissional, laboral, económica, governativa que nós conhecemos até agora. As
instituições, os papéis, a importância dos títulos, a forma como se exerce o
poder e o governo, a relação que nós temos com os nossos empregadores, a
relação que nós temos com o nosso próprio projecto de vida - e eu não falo de
trabalho nem profissão - o nosso projecto de vida, porque isso vai estar a
mudar.
Mas "mudar, ai que fantástico!"?
Não, vai começar a ser destruído, alterado. E a primeira etapa é haver uma
desorganização dos átomos, das formas, para que depois com a liberdade que
estes átomos conquistaram por se desagregarem da velha estrutura, a partir
dessa nova liberdade os átomos podem re-agregar-se.
E quem conduz este processo? É o medo? O meu
desejo? A minha ambição? A minha cegueira? O meu auto-envolvimento? O meu
egoísmo? O meu "eu tenho é que fazer pela vida e o resto do Planeta que se
fornique"?
Quem conduz este processo? É a parte maior, ou
a parte inferior, da nossa natureza? Somos humanos e sabemos que temos uma
dupla natureza. metade divinos, metade animais. A questão é: vamos avançar
levados pelas pernas, ou vamos comandar as pernas para que nos dirijam para
onde o olhar se foca? Estou a falar de Sagitário, do centauro. E a meta, o
horizonte deste centauro, é a nova estrutura da nossa vida.
(...)
Este
texto é o excerto de uma conferência proferida no dia 7 de Janeiro de 2008
Nuno
Michaels
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