As ilustrações usadas neste artigo são do filme "O
Cavaleiro das Trevas", o 4º da série Batman, estreado em Julho de 2008. Este
trabalho de João Acuio foi o vencedor do concurso "Astrologia, um caminho
para a orientação", promovido pelo site Porto do Céu e pela escola Espaço do
Céu.
Gênese num beco sem saída
- Marginais... vocês sugaram a vida de Gotham City, na
alma! Essa festa durou tempo demais. Basta! De agora em diante farei parte de
seus pesadelos. A lei ganhou um nome... o meu nome! Batman! Lembre-se dele
quando cometer um crime...
Com essas palavras, Batman fez sua primeira aparição nos
Estados Unidos às vésperas da Segunda Grande Guerra, sob o céu de 18 de maio de
1939.
Criado pelo desenhista de quadrinhos Bob Kane, a Dectetive
Comics precisava de um super-herói que fosse a antítese de Superman, que havia
sido lançado um ano antes e fazia muito sucesso. Inspirado em Zorro, em
histórias de detetive e no genial Leonardo da Vinci, Bob Kane dá à luz ao
Batman - O Cavaleiro das Trevas. Um vigilante feito de sombras, atormentado por
suas lembranças e com faro de quem conhece a dor de uma perda.
Bob Kane, com a ajuda do roteirista Bill Finger (1) , deu
ao personagem uma origem mais próxima da morte e do apocalipse do que da vida.
Quem leu a Dectetive Comics n° 27 ou viu o primeiro filme da série Batman, com
Michael Keaton no papel principal, sabe que Bruce Wayne (o homem que veste a
roupa de Batman), presenciou aos oito anos o assassinato de seus pais à saída
do cinema em que foram ver A Marca do Zorro. Com o passar do tempo, a lembrança
do crime ronda as suas não raras noites de insônia. Aos 30 anos, já vivido o
Retorno de Saturno (2) , com profundo conhecimento de artes marciais e
literatura policial, além de deter tecnologia de ponta, converte-se num
implacável vingador vestido de morcego, que atormentará a alma dos criminosos
de Gotham City. Para você ter uma idéia de quanto ele é vingativo, Batman mata
já na primeira história. Batman era um assassino no seu primeiro ano de vida.
Com a inteligência dos argumentos de Bill Finger e desenhos
de Bob Kane, Batman torna-se, com o passar dos anos, o avesso do Superman.
Enquanto o Super-Homem é um herói solar, que protege todo o planeta assim como
velhinhas indefesas que perderam seus gatos, o Homem-Morcego é um justiceiro
noturno. Apenas mais um numa cidade suja pelo crime. Super-Homem tem
superpoderes, tais como visão de raio-x, velocidade ultrassônica, além de voar.
Já Batman usa seu próprio corpo como arma de combate, sem falar de seu cinto de
utilidades, que lhe dá recursos para combater o crime com instrumentos. Muitas
vezes eles não funcionam, deixando-o literalmente na mão. Ele é falível,
portanto. Superman tem os aplausos e o reconhecimento da opinião pública,
Batman é um ser solitário e em algumas histórias é criticado por fazer justiça com
as próprias mãos. No entanto, há uma diferença fundamental entre os dois:
enquanto o eterno jovem Super-Homem é imortal, Batman é de carne e osso. Gotham
City, além de circos e parques de diversão, também tem cemitério.
É importante lembrar que, no início, o Homem-Morcego era um
personagem solitário. O jovem Robin, o menino-prodígio, aparecerá somente em
abril de 1940, para atenuar as características sombrias de Batman e assim
ganhar o público infanto-juvenil que acompanhava as tiras de quadrinhos nos jornais.
Contrariando a idéia original, Batman passa a ter humor. E a ter que se
relacionar. Nos anos seguintes, até 1950, surgirão os outros personagens que
vivem em Gotham: Duas-Caras, Pingüim, Charada, Coringa, Mulher-Gato, Alfred (3)
etc. Enquanto Batman vai sendo civilizado, renunciando a matar e a usar armas
de fogo e se dedicando à beneficência com o nome de Bruce, seus arqui-inimigos
vão nascendo e se assemelhando muito a origem do Homem-Morcego, isto é, com
caras e bocas que expressam mentes doentias até à psicopatia.
Nos anos 60, durante a série televisiva, Batman entra em
crise de identidade de vez, sendo descaracterizado por seus roteiristas até
cair no ridículo. Mas essa história eu conto daqui a pouco. Vamos primeiro
definir o signo do Batman.
Se você pensou em Escorpião, guarde segredo. É isso mesmo.Batman tem qualidades que associamos a Escorpião. Absurda perspicácia, poder de concentração, hábitos noturnos, tormentos, são algumas de suas características mais fortes. Batman já foi considerado o maior detetive do mundo. Morcego tem hábitos noturnos. E todo mundo sabe que Escorpião vive no submundo do mundo cultuando sua obsessão pela morte. Lembre-se que, nas melhores histórias, Bruce/Batman sempre tem pesadelos com a morte dos pais. Aliás, o lugar onde o casal Wayne morreu, conhecido como Beco do Crime, dizem os bêbados, é habitado por fantasmas de órfãos mirins, criminosos e muita raiva descontrolada. Os batmaníacos juram que, no aniversário de morte dos pais de Bruce, Batman faz plantão nesse beco, espancando e capturando criminosos.
Em outras palavras: Batman, assim como Escorpião, é um
signo da noite, que vive no submundo, guardando um segredo. Neste caso, sua
identidade e seu passado. Com um faro infalível, como o de um detetive de
romance policial noir, Batman enxerga no escuro e o que acontece nas
entrelinhas. É conhecida a capacidade de percepção do escorpiano para o que é
tramado por baixo do pano. Aliás, é por isso que o associam à manipulação e à
paranóia. A boca do povo diz que Escorpião é vingativo, muito por lidar em
linha direta com a raiva que mata ou envenena, principalmente a si mesmo. Se
Escorpião tem tendência à paranóia, nem precisa dizer que a desconfiança é uma
marca deste signo. E diga aí: Batman confia em alguém? Somente no Batmóvel e no
virginiano Alfred, o mordomo que prepara sua comida e cobre sua retaguarda na
Batcaverna quando o Homem-Morcego sai à caça.
Morte e renascimento
até o juízo final
O renascimento também é uma marca de Escorpião. E é o que
ocorre em vários enredos das histórias de Batman, que o conduzem até o fundo do
poço, para depois fazê-lo renascer das cinzas. Nada mais Escorpião. Aliás, o
escorpiano tem vocação para escavar histórias perdidas, carregadas de veneno
letal.
Escorpião lida sempre com sentimentos e situações-limite.
Ou, se você preferir, com aquilo que se chama crise. O lado destrutivo da vida.
Signo que passa a vida toda lutando, tentando fazer do veneno que empedra seu
coração algo construtivo. Em linguagem astrológica, partindo do instinto
destrutivo de Escorpião para a busca de estabilidade representada pelo seu
signo oposto, Touro. Batman é assim: vive com o que há de mais negro e louco em
Gotham City. Volta e meia ele leva o ariano Coringa, ou o Gêmeos-Libra Duas-Caras,
ou o gelado aquariano Homem-Gelo para o Asilo Arkham, o hospital psiquiátrico
de Gotham. Apesar da genuína compaixão, o Cavaleiro das Trevas, no íntimo, não
acredita muito na recuperação de seus inimigos. Como ele se conhece e é um
Escorpião convicto, sabe que a destrutividade pulsa dentro de cada ser. O
taurino Freud, com Ascendente Escorpião, desenvolveu o conceito de pulsão de
morte, criado pela psiquiatra russa Sabina Spielrein (4) , para essa realidade.
Outra característica hiper hiper escorpiana é a
possibilidade de concentração nas horas mais difíceis. Escorpião concentra toda
sua alma quando se sente encurralado. Como Batman se sente sempre nessa
situação, acaba sendo silencioso como a morte, preferindo antes observar do que
falar. Se você ainda tem dúvidas quanto à ênfase no signo de Escorpião, veja só
as primeiras palavras de Batman em Batman vs. Aliens, de Ron Marz e Bernie
Wrightson, lançado em 98 no Brasil pela Mythos Editora:
- As noites de minha vida são gastas lutando com
psicóticos. Criminosos, cujas mentes são tão deformadas quanto suas
experiências externas... Eu acreditava ter visto a face do horror. Hoje eu
descobri que não. (...) Os eventos se repetem em minha mente... Todos eles. O
início...
Ou, em Um Conto de Batman: Gangues, de Steven Grant e Shawn
McManus, lançado pela editora Abril Jovem, em ano impreciso:
-Gotham à noite fervilha com violência. Eu sinto a infecção
se espalhar, dos becos mais imundos do centro até o mais tranqüilo quarto nos
bairros elegantes. Ela é transmitida pelo orgulho, pela ganância, pelas razões
mais insensatas, até irromper como uma chaga purulenta.
Eu quero parar a epidemia, curar minha cidade. Mas também
estou infectado. Eu luto contra minha própria violência, contra o ódio que me
impulsiona. Eu controlo a fúria, soltando-a quando é preciso e só na dose
necessária.
Batman é pai, não é
padrasto
Há ainda outro signo muito forte na personalidade deste
homem que assombra os becos de Gotham City (ou será São Paulo, New York,
Tokio?): o signo de Capricórnio.
Associa-se à Capricórnio a cara séria, sem sorriso, da
máscara que Batman usa. Capricórnio é o signo da sisudez, da velhice, da
estrutura e da responsabilidade com o peso de mil solidões. E a solidão de
Bruce Wayne é conhecida nos quatro cantos do mundo. Batman não pode sorrir
porque, se sorrir, vai amolecer a sua rígida musculatura facial e com isso
acabará chorando e tendo que lidar com a dor da perda de seus pais (5) . Acaba
perdendo também a chance de reconhecer a força de sua fragilidade.
Capricórnio, com o seu gosto por desertos, protege
Wayne/Batman de envolver-se com sentimentos mais profundos, o que, para muitos
Escorpião-Capricórnio, é apavorante. Que pena, porque, se não fosse assim,
talvez Batman pudesse um dia amar a Mulher-Gato com todos os seus miaus. O Bode
Velho também é o significador da disciplina e perseverança. Veja o que Mark
Hamill, o Luck Skywalker de Star Wars, diz sobre Batman.
"Ele (Batman) não era um estranho visitante de outro
planeta, mas um verdadeiro super-homem. Era um ser mortal, representava um
ideal humano, através de trabalho duro, disciplina, dedicação e perseverança,
elevou tanto sua mente, corpo e espírito, que acabou se distingüindo de todos
nós"(6) .
Batman dedicou-se ao aprendizado de inúmeras artes marciais.
Se houvesse nascido no Japão antigo, seria um Ronin, nome dado a um samurai sem
mestre. Outras evidências capricornianas são essa perseverança incansável que o
faz trabalhar duro, noites a dentro, em decomposição de fórmulas químicas, ou à
procura, no seu arquivo de jornais, de notícias que reconstituam a origem de
seus arqui-inimigos. E por último, a disciplina capricorniana, que faz do
Batman também um pai-disciplinador. O ariano Robin não tem cara de filho
rebelde?
Outros personagens e
perênteses
Quando se analisam os outros personagens que compõem o
universo de Batman, podemos entendê-los como subpersonalidades do
Homem-Morcego. Estou querendo dizer que, apesar de Bruce/Batman ser
predominantemente Escorpião-Capricórnio, os outros personagens, tais como
Coringa, Mulher-Gato, Robin, Hera Venenosa, Alfred e Robin, são reflexos de
Batman. Quero dizer que Batman é o outro lado de cada um desses personagens e
vice-versa. É também assim no mapa astrológico.
Sabemos que cada planeta no mapa natal é uma parte que
compõe a pessoa. É certo que temos uma vida e meia para integrar na nossa
consciência a qualidade de cada posição planetária. Porém, na maioria das
vezes, escolhemos ser, por exemplo, o Sol e o Ascendente, e projetamos a Vênus
na mulher amada, Marte no filho desejado, Júpiter no professor otimista. É isso
que Batman faz. Ele se identifica com alguns signos e entra em contato com
outras dimensões do seu ser através de seus arqui-inimigos ou parceiros. Por
isso, quando analisamos personagens de ficção, é sempre relevante entendermos
todos os outros personagens que compõem a história para uma melhor compreensão
da psicologia do protagonista.
Então, vamos a eles:
Robin, o filho
adotivo
Robin, o menino-prodígio, é o trapezista Dick Grayson.
Filho dos Grayson Voadores, que tinham um circo e faziam shows de trapézio.
Presenciou a morte de seus pais em pleno picadeiro, após sabotagem do
equipamento de segurança. Bruce Wayne estava ali na noite do homicídio e por
isso culpa-se por não ter podido evitar a tragédia. Depois disso, Dick Grayson
torna-se Robin. Para vingar sua perda, associa-se a Batman no combate ao crime.
Bruce/Batman faz o papel de pai de Dick, por ver naquele menino a sua origem. E
Robin, por sua vez, o papel do filho que o milionário Bruce Wayne nunca terá.
Por causa da ousadia, juventude e coragem muitas vezes
inconseqüente de Robin, podemos associá-lo ao signo de Áries, que é conhecido
por sua impulsividade, rebeldia e espírito de competição. Em muitos enredos, o
menino-prodígio entra em franca competição com Bruce. Quando não pelo amor de
uma mulher venenosa ou por desrespeitar uma ordem de Batman. No final, o
Morcego agradece, já que a rebeldia de Robin resulta na sua salvação bem na
hora em que ele, o Homem-Morcego, viria a sucumbir nas mãos dos inimigos.
Robin, com seu signo solar em Áries, faz Batman ficar menos
noturno e atormentado. Batman vê em seu filho adotivo a alegria que nunca
alcançará. Através de Robin, Batman fica menos solitário e mais paternal.
Aliás, essa relação faz com que Batman ganhe contornos de Libra. Afinal de
contas, nada é mais libriano do que uma dupla dinâmica, uma parceria em prol da
justiça. É importante dizer que essa parceria só acontece por pressão da
indústria de quadrinhos, que queria atingir o público infanto-juvenil através
da identificação com um personagem-mirim. Robin nasce um ano depois de Batman,
humanizando sua irracionalidade. Em linguagem astrológica,
"libriando" o temido signo de Escorpião.
Alfred, o mordomo
Alfred é do signo de Virgem, devido à sua genuína vontade
de servir o patrão, Bruce. É ele quem prepara à comida, lava e passa a roupa,
medica, cuida das contas e, na Batcaverna - espécie de bastidor escorpiano -
dirige as ações de Batman. É conhecido ser do signo de Virgem essa vocação de
dirigir ações nos bastidores, sem a necessidade de ser aplaudido ou subir no
palco. Alfred também é a crítica - outra forte característica do signo de
Virgem. Ele sempre está lembrando a Bruce que é preciso relacionar-se com as
pessoas, apoiando sempre seus romances, e também não deixando de alertá-lo
sobre o perigo que há na noite. Ele faz isso de forma muito virginiana, isto é,
com uma certa distância afetiva, com medida e seriedade. E dizendo, quando
Bruce volta ferido, a típica frase virginiana:
- Eu o avisei, patrão. Eu lhe disse que era perigoso. Eu
não falei?
As serpentes
Mulher-Gato e Hera Assassina
Duas lindas vilãs, Mulher-Gato e Hera Assassina, costumam
levar Batman aos mais variados passeios no inferno. Ambas são Touro-Escorpião,
graças à ênfase na beleza e nos jogos de sedução. Com toda certeza, Batman deve
ter Vênus em Escorpião(7) .
Hera Assassina mata com seus beijos. Este é o lado
manipulador-sedutor que há no signo de Escorpião. Não que todos os escorpianos
sejam assim, porém é provável que tenham que lidar com a questão de amar sem
possuir, seduzir sem controlar, entregar-se sem subjugar. Quem nunca se
envolveu numa relação amorosa que promove mais destruição do que amor?
A Mulher-Gato também é Escorpião. Lembre-se que ela é uma
assassina. Muito sedutora, ardilosa - aliás, muito parecida com o
Homem-Morcego. Talvez por isso, ela o salve muitas vezes. E ele a poupa sempre.
É difícil para ele resistir aos encantos da Mulher-Gato. Mas a ênfase no signo
de Capricórnio faz com que ele resista e não se ajoelhe frente ao próprio
desejo.
O sádico palhaço
Coringa
Outra coisa que faria bem à rigidez de Batman seria
aprender a rir com o Coringa(8) .
Coringa é um personagem Áries-Gêmeos-Leão. Áries pela
acidez e pelo exaltado egocentrismo - não é por acaso que ele é o inimigo nº 1
de Batman. Não esqueça que Áries procura sempre ser o número 1, o pioneiro, o
único. Regido pela agressividade do planeta Marte, o Deus da Guerra, Áries-Coringa
exerce seu sadismo.
Coringa também é Gêmeos pela disposição lúdica: um palhaço
que faz da piada sua arma mortal. Ele mata as pessoas com um gás hilariante que
faz agonizar com um sorriso no rosto. A combinação destes dois princípios,
Áries-Gêmeos, faz do Coringa um personagem que tem humor cáustico. Bem
diferente de Batman, que não ri e não acha graça na luz. Aliás, poderíamos
associar Coringa também a Leão, devido ao seu gosto por espetáculos, holofotes
e entradas marcantes com roupas sempre chamativas. Áries-Leão são signos
expansivos por serem de Fogo. Bem diferente de Batman, com seu restritivo mundo
de Capricórnio marcado pela solidão, ou o escuro Escorpião da Batcaverna
repleto de objetos conspiratórios. Daria para dizer que o terapeuta ideal para
o Homem-Morcego seria o Coringa, e vice-versa. Batman precisaria rir com as
piadas do Coringa e o Coringa aprenderia a conter o seu instinto de aniquilar
com a Lei que Capricórnio representa. Infelizmente, foi o Coringa quem matou o
casal Wayne, matando também a capacidade de rir de Bruce.
O indeciso Duas-Caras
O Duas-Caras é o Promotor Harvey Kent. Após o assassinato
de sua familía, Harvey tem ácido jogado em sua casa. Com isso, acaba ficando
com um lado do rosto desfigurado, revelando seu ódio, e o outro, sua sanidade.
Logo de cara pensamos no signo de Gêmeos, devido a essa divisão de
personalidade. Porém, há outro signo que parece mais próprio do Promotor - o
signo de Libra.
O Duas-Caras é um personagem que, ao decidir se vai matar
ou não, tira cara ou coroa com uma moeda. Há, neste personagem, uma dúvida tão
cruel, uma divisão tão fundamental, que podemos pensar no signo de Libra. É do
signo de Libra essa guerra interna que o faz ficar entre duas opções igualmente
importantes, sentido-se obrigado a escolher. No caso, Harvey precisa do auxílio
da moeda, já que ele não consegue optar sozinho. E quantas vezes os nativos de
Libra não pedem a opinião do parceiro ou de amigos para decidir alguma coisa? E
mais, advogado-promotor é profissão de Libra, o signo da Justiça.
Este é o personagem de que, seguramente, Batman tem mais
compaixão (acredite, compaixão também é uma característica de Escorpião). Até
porque Harvey Kent era seu amigo e, principalmente, por compreender que
Duas-Caras não tem realmente a possibilidade de fazer a escolha entre sua saúde
ou sua insanidade, dado o trauma de ter visto sua família ser assassinada. E
disso o Batman entende.
Bob Kane rima com Bruce Wayne
E por fim: Você sabe qual é o signo de Bob Kane, criador do
Homem-Morcego? Escorpião, é claro! Que coincidência, não?!
Com certeza, quando alguém cria um personagem, muito
possivelmente está projetando conteúdos do seu próprio psiquismo durante a
criação. A criatura e o criador se assemelham.
Veja então, o mapa de Bob Kane (24.10.1916, em New York).
Infelizmente não temos o horário de seu nascimento.
Evidentemente, Sol em Escorpião. Não preciso dizer mais
nada, não?
Não disse antes, mas Touro é um signo forte na
personalidade de Batman. Faz com que ele preserve a vida, apesar da vontade
escorpiana de varrer o que é "sujo" de Gotham. Até o fato de Bruce
ser um elegante milionário nos remete ao signo de Touro - signo amante da
elegância e do dinheiro. Querer manter a ordem em Gotham também nos lembra dos
valores de disciplina, organização e conservadorismo comum aos signos de Terra.
Note: Bob Kane tem Júpiter em Touro.
Outro detalhe importante é a presença de Plutão em
Câncer(9) - o Deus da Morte no signo da família e do senso de raízes
históricas. Como também Saturno - o Deus da Restrição conjunto à
cauda-do-dragão em Câncer. Batman e todos os outros personagens perderam suas
famílias de forma trágica. Não esquecer que Bob Kane cresceu durante a Primeira
Guerra Mundial e Batman foi lançado durante a Segunda. Essas duas Grandes Guerras
aconteceram durante o transitar de Plutão em Câncer . É inegável a perda de
laços familiares e de raízes que essas guerras provocaram, e isso está
refletido nesta história.
Plutão em Câncer de Kane faz oposição ao Plutão do mapa da
Declaração de Independência dos USA. Tocar Plutão com outro Plutão, e ainda em
oposição, é acionar uma bomba com outra bomba. Ou se você preferir: vulcão
cuspindo em vulcão. Ou Mike Tyson mordendo a orelha de Mike Tyson. Ou Batman
abrindo feridas com outras feridas.
A primeira aparição
de Batman - o Diabo
"Em Gotham, a noite tem seu rosto. Chame o diabo, em
voz alta ou em silêncio, e ele responderá. E o nome do diabo é...
Batman"(10) .
~
Pouco antes do início da Segunda Grande Guerra, com a Besta
constelando em torno da figura de Hitler, Batman nasce em 18 de maio de 1939.
Veja o mapa, que foi feito sem considerar o horário e
local. Para efeito de cálculos foi usado o horário das seis da manhã e latitude
e longitude de Nova Iorque.
Com forte ênfase em Touro (Mercúrio, Cauda-do-Dragão, Lua,
Urano e Sol), Batman deu as caras. Evidentemente, Plutão estava em Câncer e
Marte em Capricórnio fazia trígono com o Sol. Tudo a ver com um personagem que
é calado, solitário, de certa forma deprimido, cauteloso ao extremo e que só
existe porque existe a morte. Mas onde está todo aquele Escorpião, com suas
obsessões pela morte e a sexualidade?
Está em Plutão, regente de Escorpião, quadrando Vênus e se
opondo a Marte. E também no stellium em Touro.
Toda vez que há um stellium em qualquer signo, o signo
oposto passa a ter um papel fundamental no mapa em questão. Portanto, essa
excessiva ênfase em Touro faz que o seu signo oposto - Escorpião - ganhe
evidência. É uma forma de compensar o exagero no quieto e contido signo de
Touro. Sem falar da Cabeça-do-Dragão em Escorpião que há neste mapa. É curioso
notar que essa Cabeça fará conjunção com o Sol de Bob Kane. A consciência,
representada pelo Sol de Kane, se alinhava com a do coletivo naquele momento.
A Cabeça-do-Dragão é o direcionamento de qualquer mapa em
questão. É como apontar qual o cano de escape que direcionará toda a restante
da configuração do mapa. E naquele momento, o céu apontava em direção aos
assuntos de Escorpião: morte, desejo, sexo, manipulação emocional, poder. O que
vai aparecendo na cultura é o fruto deste direcionamento.
O taurino Hitler mostrou um jeito de lidar com a Besta que
reside dentro de cada um de nós. Batman foi outra maneira de lidar com as
mesmas questões. Pena que a indústria cultural americana tratou de colorir tão
depressa este personagem.
Batman, na sua origem, e Hitler são personagens
plutonianos. Ambos lidam com aquilo que Fausto Fawcett chamou de básico
instinto.
"Forças caóticas mandam sinais em forma de Básicos
Instintos que transformam as pessoas em vetores de afirmação vital totalmente
obsessiva e amoral. (...) E a veia platônica pulsa desesperada enquanto as
forças caóticas da violência primordial são cutucadas com vara curta pelo
excesso de poluição humana nas megacidades... (...) Megacidade, principalmente
de terceiro mundo, é uma inacabada e furiosa catedral do excesso humano,
violentos coliseus urbanos da luta pela sobrevivência. Brutalidade de todas as
presenças, de todas as formas de vida social e subjetiva dando xeque-mate umas
nas outras, gerando divisão e dribles de realização emocional, e catártica na
mediocridade cotidiana. Luta pela sobrevivência e pela ração de emoção, comida,
divertimento, ternura-família-amorzinho-cumplicidade-afetiva... Terreno
propício pra proliferação dos sentimentos plutônicos, pra veia plutônica pulsar
firme e forte nos espíritos e nas carnes. A veia plutônica pulsa mais forte que
a platônica."
Gotham City é uma megacidade do Terceiro Mundo. O mundo,
naquela época, estava pronto para explicitar essa veia plutônica pulsante em
todos os seres humanos no palco da Segunda Grande Guerra. Dobermans nazistas
babando fúria lembram básicos instintos.
Curto-curcuito no céu
Os enredos e os personagens de Gotham revelam uma certa
ambiguidade no mundo de Batman que se associa ao eixo Gêmeos-Sagitário. Esses
são os dois signos que lidam fortemente com dissociação de personalidade
(espécie de curto-circuito na coerência). Não há signos mais duplos do que
estes. É comum Gêmeos criar dupla identidade para si mesmo. Veja o geminiano
poeta e astrólogo Fernando Pessoa, que criou diversos heterônimos com
personalidades delineadas. Sagitário também é assim. Essas tendência à
duplicidade ou, no popular, em ter duas caras, há em quase todos os personagens
do Batman. Veja, Batman é Bruce Wayne. Robin é Dick Grayson. Duas-Caras é
Harvey Dent. A Mulher-Gato é Selina Kely. Hera Assassina é Pamela Lillian
Isley. Coringa é uma referência à carta de baralho que, em alguns jogos, pode
ocupar a identidade de outra carta. Coringa é um trickster, nada mais parecido
com o amoral Hermes, regente de Gêmeos. Essa duplicidade que Gêmeos representa
é o pano de fundo da origem de todos estes personagens.
Esta ênfase em Gêmeos faz com que os EUA criem
identificação com personagens com dupla personalidade, já que o mapa deste país
(que vamos ver mais adiante) apresenta Gêmeos na casa 7, a casa do
Outro-em-Mim, sem falar da presença de Marte e Urano em Gêmeos. E Sagitário no
Ascendente também faz pensar em dupla personalidade.
A crise de identidade
na mesma bat-hora e no mesmo bat-canal
Talvez por causa desse ambígua ênfase em Gêmeos, no
interior das histórias, que marcou o primeiro contato do povo americano com o
Cavaleiro das Trevas, abriram-se brechas para que os roteiristas
descaracterizassem Batman por completo durante os anos 60. Já que ele tinha
dupla personalidade, por que não inventar outras?
Já na primeira década, para amenizar o aspecto
aterrorizante de Batman, surgiu o menino Robin, acompanhado de roteiros fracos,
mais próximos da ficção científica, e, para tirar a arma assassina das mãos de
Batman, surgiram em seu lugar as conhecidas e generosas doações beneficentes de
Bruce Wayne, o que indicava o acelerar de seu processo civilizatório, sem falar
das cores brilhantes que apagaram as negras roupas de Batman.
Mas os anos 60 foram muito piores. Com a série televisiva
que estreou no dia 12 de junho de 1966, com o Sol em Gêmeos, portanto,
alcançando 49,5 % de audiência, começou o massacre e o recalque da personalidade
plutoniana de Batman. A começar por suas roupas, que eram verdadeiras sungas
sobre collants, sem falar que seu cérebro funcionava ao som de TOC! SOC! POOM!
Infantilizaram tanto o personagem de Bob Kane que, num episódio, Batman pára de
combater o crime por um dia porque estava com dor de garganta e poderia
"ferir cidadãos inocentes" com sua moléstia. Sem falar da aparição de
inimigos como Cabeça-de-Ovo e Rei Tut que nunca existiram nos quadrinhos.
Muita gente, inclusive meu pai, dizia, em tom de brincadeira,
que Batman e Robin - a dupla dinâmica - eram gays. O psiquiatra americano
Frederic Werthand levou isso a sério e escreveu um livro chamado The Seduction
of the Innocents, defendendo a tese de que o seriado de Batman e Robin promovia
a homossexualidade nos puros lares americanos.
"(Batman e Robin) transmitem a sensação de que nós,
homens, devemos nos manter juntos porque há muitas criaturas malvadas que têm
que ser exterminadas. (...) Às vezes, Batman acaba numa cama, ferido, e
mostra-se o jovem Robin sentado ao seu lado. (...) Vivem em aposentos suntuosos
com lindas flores em grandes vasos. Batman é, às vezes, mostrado num robe de
chambre... é como um sonho de dois homossexuais vivendo juntos"(11) .
Depois disso, nos anos 70, Batman entra em decadência,
renascendo apenas em 1986 com as características que Bob Kane havia-lhe dado,
quando Frank Miller lança O Retorno do Cavaleiro das Trevas.
O eterno retorno do
reprimido
Mas por que a alma americana descaracterizou Batman e não o
Superman? Porque toda vez Batman precisa ser revisto, senão será deturpado nas
mãos dos roteiristas? No filme Batman e Robin já dá para ver uma certa
descaracterização do personagem, fazendo dele um bom moço, gentil, mais próximo
da beleza de Libra do que das entranhas de Escorpião. Por que os Estados Unidos
recalcam Batman? Para ter essas respostas basta ver o mapa dos Estados Unidos
(04.07.1776, às 16:50h na Philadelfia. A casa 12 dos Estados Unidos tem a
cúspide em Escorpião. A casa 12 sempre representa aquilo que tentamos esconder
da consciência, entre outras coisas. Os Estados Unidos escondem de si mesmo e
do mundo sua irracionalidade, o seu desejo de matar, assim como uma relação
afetiva mais madura com a sexualidade. Quem viu o filme A Outra História
Americana, com Edward Norton no papel principal, sabe do que eu estou falando.
Qual é o país que tem serial killers com jeito de Coringa?
Que vende cosméticos ao mundo todo para maquiar a passagem do tempo e esquecer
a finitude? Que incentiva qualquer psicologia voltada à adaptação do
comportamento e rejeita as psicologias do inconsciente? Os Estados Unidos
odeiam o signo de Escorpião. Aliás, neste mapa não há sequer um planetinha
nesse signo. A imagem que os Estados Unidos transmitem ao mundo é a mensagem
que provém de seu Ascendente Sagitário, o Super-Homem.
Esse Ascendente faz com que o país se mostre como grande e
otimista. Prosperidade é um valor sagitariano, assim como a cultura (não há
indústria maior que a cultural nos Estados Unidos), como também gestos grandes
e generosos (muitas vezes colonizadores, diga-se de passagem). Lá as
universidades (instituição de Sagitário) têm poder de opinião. A mania por
quebras de recordes também é uma tara desse país com Ascendente Sagitário e que
inventou o Guiness Book. Essa é uma nação que faz do pragmatismo sua ética,
rejeitando qualquer impulso do Irracional, da Besta do Apocalipse, isto é,
Escorpião.
E Batman vem de encontro a tudo isso. Batman não é um
santo. Ele provoca fragilidades na alma americana com sua história de família
destruída, como tantas durante o trânsito de Plutão por Câncer. Família é um
tema muito caro ao americano, que tem Sol em Câncer, signo dos ancestrais,
sentimentos de apego e laços familiares que nos ligam ao berço da nossa
história pessoal. Câncer é o signo de uma esmagadora possessividade maternal
(isso é um pleonasmo). Imagine se Câncer simpatiza com essa coisa que mete medo
chamado Escorpião. Afinal de contas, ele lembra todo o tempo que devemos largar
o que já não está conosco, mas que insistimos em segurar.
Em poucas palavras, os Estados Unidos evitam Escorpião
porque morrem de medo.
Com o trânsito de Plutão em Escorpião, os Estados Unidos
começam a lidar com sua casa 12 e com tudo que escondeu embaixo do tapete. E é
exatamente nesse momento de crise americana que O Retorno do Cavaleiro das
Trevas, de Frank Miller, é lançado. Curiosamente é quando Plutão toca o Sol de
Bob Kane, fazendo-o renascer através de seu personagem, e toca o ponto da
Cabeça-do-Dragão da primeira aparição de Batman, em 1939, dinamizando a missão
de Batman no trato de temas plutonianos. Já vimos isso.
O mapa seguinte foi calculado para março de 1986, quando a
revista foi lançada nos Estados Unidos. O fato de não sabermos o dia exato, e
muito menos a hora, faz com que nos detenhamos nos planetas mais lentos
(Plutão, Urano, Netuno, Saturno, Júpiter) como critério de análise.
Considerando que revistas são lançadas normalmente tendo como referência o
primeiro dia do mês, utilizou-se a data de 1° de março de 1986, às 6h, em Nova
Iorque (tomar estes dados com muita reserva!).
O cavaleiro negro de
Frank Miller
Frank Miller, que com essa obra revolucionou toda a
produção de histórias em quadrinhos para adultos, conta a história de Batman
sem a moral civilizatória ou a ética do bom moço. Dá para dizer que há uma
história das histórias em quadrinhos antes e depois do O Retorno do Cavaleiro
das Trevas, desde o tipo de roteiro, seqüência de desenhos e temas tratados.
Nesta história, por exemplo, o Cavaleiro das Trevas se
encontra em uma Gotham City (São Paulo, de atualmente) governada pela
corrupção, sujeira humana, por básicos instintos. Esta história é tão radical
que, para começar, Batman tem 50 anos. Portanto, já viveu a quadratura Plutão
com Plutão que adensou cada vez mais sua solidão capricorniana e o sentimento
de perda de Escorpião, já que o Robin havia morrido em combate dez anos atrás -
o tempo que Batman ficou em reclusão). Alfred está vivo, mas morre durante a
história. Selina - a Mulher-Gato, já velha, é dona de um bordel (no decorrer da
história Batman beija Selina, que havia sido fantasiada à força de Mulher
Maravilha por Coringa). O Comissário Gordon, policial e amigo de Bruce, também
amarga a morte de sua filha, a BatGirl, além de sua compulsória aposentadoria.
Coringa está no Asilo Arkham, catatônico, desde a última aparição de Batman.
Quando Batman volta, ele volta a si. É como se Miller disesse que a existência
desses criminosos estava ligado à existência de Batman. Duas-Caras faz plástica
paga por Bruce Wayne, porém não resolve seu conflito interior. Durante a
história, surge Robin, uma menina de 13 anos que havia ouvido falar do parceiro
do antigo justiceiro. Miller achava que a roupa de Robin ficaria melhor numa
menina do que num menino.
Batman volta a ser um assassino. Chega, durante o combate
com o Coringa, a deixá-lo paralítico. Não respeita a instituição policial que
tem ordem de prendê-lo. Chega, com sua atitude, a ir contra a instituição que o
pensamento psiquiátrico representa, já que ele não acredita na possibilidade de
o Coringa recuperar a sanidade, como o psiquiatra da história - um fã do
Superman - sugeria. Bruce Wayne se vê atormentado por lembranças dolorosas que
o visitam sem trégua durante suas muitas noites de insônia. Gotham é atacada
por uma horda de adolescentes chamada Mutantes que promovem assaltos,
assassinatos e a tentativa de implantar um regime de tolerância zero à base do
crime. Inclusive, o líder dos Mutantes mata o prefeito com os próprios dentes
que, no desenho, se mostram pontiagudos como o de um tubarão sanguinário.
O Retorno do Cavaleiro das Trevas também é uma crítica à
sociedade americana da Era Reagan. É importante lembrar que a Guerra Fria
corria solta nesta época. Tudo era motivo para polarizar os salvadores do
mundo, os Estados Unidos de um lado, e o diabo, o comunismo da União Soviética,
do outro. É interessante ver na história de Miller que o único herói oficial é
o Superman, digno representante do ego americano. O Homem de Aço detona bombas
nucleares em testes atômicos sob ordem do governo, em prol da paz mundial. Além
de ser tratado por Reagan como filho bom moço e agente de colonização, Superman
acaba por lutar com Batman, já que uma parte da sociedade não admite que este
último faça justiça com as próprias mãos, contrariando os ideais de justiça
americanos. Veja o que Batman diz durante o combate com o Superman:
"Sangramento nasal. Muito cedo, Clark. Não caia agora.
A noite é uma criança... e eu preparei tantas coisas. Temos que terminar aqui,
nesta calçada imunda... onde meus pais morreram... onde posso usar a energia de
toda a cidade para tostar seu cérebro. Ainda falando, Clark? Continue. Você
sempre soube o que dizer... diz sim a qualquer um com distintivo... ou com uma
bandeira. (...) Já passou da hora de aprender o que é ser um homem! Você traiu
a todos nós, Clark. Deu a eles o poder... que devia ter sido nosso. Exatamente
como seus pais ensinaram. Meus pais me ensinaram coisas diferentes. Caídos
nesta rua... sangrando muito... morrendo sem razão nenhuma... eles me mostraram
que o mundo só faz sentido quando você o força a fazer."
"... O mundo só faz sentido quando você o força a
fazer". Frase tipicamente Escorpião-Capricórnio. Aliás, Escorpião, detesta
fraqueza, e é implacável nas suas críticas aos "menos fortes".
O Retorno do Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller, faz
ressurgir este símbolo da Morte e da sujeira humana representado pelo signo de
Escorpião. É claro que Escorpião possui significados mais benéficos, porém
neste caso vemos a sombra da sombra da noite. Esta história, inclusive, é o
prenúncio da violência juvenil nestes últimos 15 anos nos Estados Unidos,
culminando nas chacinas em colégios nos últimos anos, já com Plutão em
Sagitário. Em O Retorno há a quebra da lei para se institucionalizar a bárbarie
nas mãos dos jovens. É uma boa leitura para entender o que está acontecendo nas
megacidades.
Depois do Cavaleiro, surgiram outras histórias que
resgataram as origem do Batman. Entre elas, Ano Um, dirigida por Frank Miller
com adaptações das primeiras histórias do primeiro ano de Batman. A Piada
Mortal, de Alan Moore, que conta a origem do Coringa. Durante o enredo, Batman
gargalha, talvez pela primeira vez em toda a sua vida, logo após Coringa lhe
contar uma piada. Veneno, Asilo Arkham, Preto e Branco, todos Um Conto de
Batman, são títulos que respeitam as difíceis origens do personagem.
Batman nasceu em
Gotham City
E por fim, gostaria de propor um mapa fictício para o
Batman.
Sol em Capricórnio, Lua em Escorpião, Mercúrio em
Capricórnio, Vênus Escorpião, Marte em Áries, Saturno em Sagitário, Júpiter em
Aquário, Urano em Virgem, Netuno em Leão e Plutão em Câncer. Ou: Sol em
Escorpião, Lua em Capricórnio, Mercúrio em Escorpião, Vênus em Escorpião, Marte
em Leão, Saturno em Câncer, Júpiter em Virgem, Urano em Áries, Netuno em Gêmeos
e Plutão em Câncer. O que você acha?
Também quero lembrar que uma sociedade ou indivíduos que
não falem da Morte, daquilo que corre na veia plutônica, estão fadados a se
atolar inconscientemente num mundo de vale-tudo. Valetudo é a melhor tradução
de inconsciente, para os trópicos, segundo MD Magno, poeta-psicanalista
brasileiro. Gotham City deve estar alinhada ao Trópico de Capricórnio. Ou de
Câncer. Tanto faz. Escorpião respira, sem ser notado. Por isso é sempre bom
lembrar as palavras de Batman:
"Então... algo se move oculto. Algo que aspira o ar
viciado... e sibila. Planando com graça milenar... Ele se recusa a se afastar
como seus irmãos. De olhos radiantes, sem alegria ou tristeza... seu hálito é
quente e tem o sabor dos inimigos vencidos... o odor de coisas malditas. Com
certeza, ele é o mais feroz sobrevivente... O mais puro guerreiro... Brilhando,